Este blog é criado no âmbito da unidade curricular Tecnologias de Educação e Comunicação em Ambientes Educativos, do Mestrado em Gestão da Informação e Bibliotecas Escolares. É um espaço onde se pode viajar entre palavras e ideias, novas e antigas, preservando e partilhando histórias enriquecedoras.


terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Metodologias de Observação de Documentos Iconográficos

          Por documento iconográfico entende-se toda a imagem pintada, desenhada ou esculpida que nos transmite informação sobre a História e, através da qual, se pode conhecer melhor uma realidade específica.
          Argan, G. & Fagiolo, M. (1994), apresentam os seguintes métodos de observação de documentos iconográficos:

         Iconológico – Iconologia – Sufixo “logia” deriva de “logos”, que quer dizer “pensamento”, “razão” – denota algo interpretativo.
        A Iconologia é um método interpretativo que advém da síntese mais do que da análise. Este método parte da atividade artística e dos seus significados.
 
Leonardo da Vinci, Madonna Litta, 1490-1491
 
        Estruturalista – Este método foi posto em movimento a partir do estruturalismo linguístico que se caracteriza pela relação de equivalência entre um significante e um significado. Procura instituir uma ciência absoluta, substituindo as diversas interpretações que cada imagem pode ter, por uma definição mais rigorosa através da decifração por parte do historiador das mensagens por sinais.

 
Kandinsky, Unbroken Line, 1923
 
        Formalista – O método formalista pretende fazer a leitura da obra na sua dimensão material e formal: o significado do significante. Este desvaloriza o sentimento ou emoções do recetor e apela ao que o recetor vê a partir da observação, principalmente os esquemas formais. As formas possuem um conteúdo significativo próprio e a representação é individualizada. A representação do tema não é meramente descritiva ou ilustrativa, mas universalizada ou idealizada onde impera a perceção objetiva.
 
Salvador Dali, The Persistence of Memory, 1931
 
        Sociológico – A obra de arte é determinada por interesses que a circundam, porque é influenciada e criada no interior de uma sociedade específica. Tem em consideração a relação existente entre a sociedade vigente e a experiência artística. É sempre questionada, promovida, avaliada, utilizada e usufruída por um conjunto social. Influencia e é influenciada pela sociedade.
 
Tarsila do Amaral, Operários, 1933 
 
Referências:
Argan, G. C.; Fagiolo, M., (1994). Guia de História da arte, Editorial Estampa, 2ª Edição, 35-40.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Recursos Visuais na Sala de Aula: A Imagem


É preciso aprender a «ver» como se aprende a ler, escrever ou falar
(Lencastre & Chaves, 2003)

          A imagem é uma forma de expressão e comunicação que faz parte de todas as épocas.
         Através duma análise da imagem, podemos contribuir para um hábito de leitura visual que facilitará a compreensão do universo social em que vivemos.
         A Escola é um ambiente propício para criar o hábito de leitura da imagem. Não só para aprender a ler imagens, mas também para aprender a ler o mundo através das imagens.
        Pelas suas qualidades, a imagem tem um impacto imediato junto dos alunos, tendo estes mais facilidade em se lembrarem da informação recebida quando está associada a imagens.
        Para Lencastre & Chaves (2003), a imagem permite a abordagem de conteúdos de forma apelativa, estimulando a cooperação, possibilitando assim uma melhor compreensão e facilitando a aquisição de conhecimentos. Contudo, segundo Moderno (1992, citado por LENCASTRE, 2003), o uso das imagens unicamente como motivadoras ou ilustrativas é um uso redutor no processo de ensino/aprendizagem.
        Para Duborgel (1992, citado por LENCASTRE, 2003), no ensino pela imagem, esta deve ser instrumento de comunicação, de informação, de conhecimento, fator de motivação, de discurso, de ensinamento, meio de ilustração da aula, utensílio de memorização e de observação do real. 

Duas possíveis imagens  a analisar com os alunos ligadas à temática ambiental: 

Anúncio “Before it’s too late” - ONG WWF
  
Anúncio “Oil” Giovanni FCB - Greenpeace


Grelha de Observação de Imagens (Fixas)
  
Mensagem Linguística
Mensagem Visual
 
Perceção
Interpretação
Significante
(os objetos reais representados nas imagens)
Significado Denotativo
(leitura objetiva: o que me parece que representam os significantes)
Significado Conotativo
(leitura subjetiva: o que me parece que querem dizer os significados)
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Referências:
Duborgel, B. (1992). Imaginário e Pedagogia. Lisboa: Instituto Piaget.   Coleção Horizontes Pedagógicos.
Lencastre, J. A. & Chaves, J. H. (2003). Ensinar pela imagem. Revista Galego-Portuguesa de Psicopedagoxía e Educación, n.8, a no 7. 2100-2105. Acedido em http://investigacao.ipiaget.org/edutec/ficheiros/3_ENSINAR_PELA_IMAGEM_viicongresopsicopedagoxia2003.pdf
Moderno, A. (1992). A Comunicação Audiovisual no Processo Didáctico. Aveiro: Universidade de Aveiro.

domingo, 29 de dezembro de 2013

Biblioteca 2.0

          As novas tecnologías da informação e a chamada Web 2.0 mudaram a forma tradicional de procurar e partilhar informação.
          Os diferentes tipos de literacia da escola atual passaram a incluir literacias que devem preparar para o uso da informação em formatos e ambientes diversos.
          A utilização da Web 2.0 no contexto da biblioteca escolar torna-se crucial, uma vez que maximiza a sua função educativa, possibilitando a interação e a construção de conhecimentos, essenciais no processo de aprendizagem.
         À biblioteca escolar coloca-se, então, o desafio da atualização para se tornar uma Biblioteca 2.0.
         O termo Biblioteca 2.0 surgiu em 2005, através de Michael Casey no seu Blogue LibraryCrunch e representa uma inovação nos serviços tradicionais da biblioteca, com a aplicação das ferramentas Web 2.0.
      Miller (2005) simplifica o conceito com uma expressão matemática, Web 2.0+Biblioteca=Biblioteca 2.0 e segundo Maness (2006), a Biblioteca 2.0 poderá ser definida por quatro elementos essenciais:
  • Centrada no utilizador – Os utilizadores participam na criação de conteúdos e serviços que são disponibilizados na Web pela biblioteca;
  • Oferece uma experiência multimédia – As coleções e os serviços da Biblioteca 2.0 contêm componentes áudio, vídeo e realidade virtual;
  • Socialmente rica – A presença da biblioteca na web inclui a presença dos utilizadores, quer de forma síncrona quer de forma assíncrona;
  • Comunitariamente inovadora – Procura a inovação e acompanha as mudanças na comunidade, adaptando os seus serviços, a fim de possibilitar aos utilizadores pesquisar, selecionar e utilizar a informação.
        A biblioteca 2.0 resulta da interligação de três fatores: ferramentas (blogues, wikis, RSS, software social e mashups), conteúdo social (oferece aos utilizadores participação em vez de somente informação) e atitudes (estar onde estão os utilizadores, aproveitar a inteligência coletiva, abrir-se à contribuição dos utilizadores).

Figura 1. Biblioteca 2.0 
  
         Desta forma, a biblioteca escolar pode ser um fator de mudança da Escola, contribuindo para o desenvolvimento das literacias e do pensamento crítico, aspetos vitais na construção do conhecimento e da cidadania.
 
Referências:
Casey, M. Library 2.0, Beta. LibraryCrunch. [S.l.], 11 oct. 2005. Acedido em http://www.librarycrunch.com/2005/10/library_20_beta.html
Maness, J. M. “Library 2.0 Theory: Web 2.0 and Its Implications for Libraries”, junho de 2006. Acedido em  http://www.webology.ir/2006/v3n2/a25.html
Miller, P. "Web 2.0: Building the New Library". Ariadne, oct., 2005. Acedido em http://www.ariadne.ac.uk/issue45/miller
Peña, J., En la búsqueda de la biblioteca 2.0. El álbum de bibliotecas, 6 de mayo de 2013. Acedido em http://elalbumdebibliotecas.wordpress.com/2013/05/06/en-la-busqueda-de-la-biblioteca-2-0/
Pinheiro, C. ”Biblioteca 2.0”, rede de bibliotecas escolares, Junho de 2009. Acedido em http://www.rbe.mec.pt/newsletter/np4/?newsId=511&fileName=biblioteca_2_0.pdf